A OpenAI, organização que desencadeou a actual corrida à inteligência artificial generativa, acaba de desferir um golpe estratégico no mercado de talentos ao contratar Peter Steinberger, o mentor por trás do fenómeno OpenClaw. O anúncio, feito por Sam Altman através da rede social X, sinaliza uma mudança de paradigma na estratégia da empresa: a transição dos modelos de linguagem puramente conversacionais para agentes autónomos capazes de executar tarefas complexas no mundo real.
Steinberger, que se destacou com uma ferramenta que permite a automação de aplicações quotidianas, assume agora a missão de “impulsionar a próxima geração de agentes pessoais”. Esta movimentação ocorre num momento em que a indústria procura desesperadamente formas de tornar a IA útil além da simples geração de texto, focando-se na capacidade de a tecnologia interagir com interfaces de software e serviços de terceiros.
O valor estratégico do talento
A contratação de Peter Steinberger não foi um processo simples ou isento de concorrência. De acordo com dados apurados junto de fontes próximas do processo, a Meta de Mark Zuckerberg também esteve na corrida, com propostas que terão atingido valores na ordem dos milhares de milhões de dólares. O interesse das gigantes tecnológicas não residia apenas na base de código do OpenClaw, mas sim na adopção massiva que o projecto alcançou em tempo recorde.
Com uma média de dois milhões de visitantes semanais, o OpenClaw tornou-se um pilar para os chamados “vibe coders” — programadores que utilizam a IA para acelerar o desenvolvimento de sites e ferramentas de automação. A capacidade de Steinberger em criar uma comunidade vibrante e uma ferramenta que simplifica a interacção com plataformas como o Spotify, Slack, WhatsApp e Discord foi o factor principal de diferenciação que levou a OpenAI a garantir a contratação.
Peter Steinberger is joining OpenAI to drive the next generation of personal agents. He is a genius with a lot of amazing ideas about the future of very smart agents interacting with each other to do very useful things for people. We expect this will quickly become core to our…
— Sam Altman (@sama) February 15, 2026
A evolução de um projecto ambicioso
O percurso do OpenClaw até à integração na estrutura da OpenAI foi marcado por uma crise de identidade e desafios legais. Originalmente baptizado como Clawdbot, o projecto foi forçado a mudar de nome após pressões da Anthropic, que alegou semelhanças excessivas com a sua marca “Claude”. Após uma breve passagem pelo nome Moltbot — que Steinberger admitiu não ser apelativo —, o projecto estabilizou como OpenClaw.
A ferramenta funciona como um assistente pessoal. Ao contrário dos chatbots tradicionais, o utilizador fornece instruções e o sistema utiliza modelos de linguagem de grande escala para planear e executar acções em diversas plataformas. Seja a limpar a caixa de entrada do correio electrónico, a fazer compras online ou a controlar dispositivos domésticos inteligentes através do sistema Hue da Philips, o OpenClaw provou que a IA pode ser um braço direito operacional e não apenas um consultor teórico.
Segurança e desafios no percurso
Nem tudo foi um caminho linear para Steinberger. Recentemente, o projecto enfrentou um incidente de segurança significativo que expôs as vulnerabilidades inerentes a um desenvolvimento acelerado. Uma falha na base de dados Supabase resultou na exposição de mais de 20 mil endereços de correio electrónico, 1,5 milhões de chaves de API e quase cinco milhões de registos confidenciais.
Este incidente serviu de alerta para a comunidade e, possivelmente, acelerou a decisão de Steinberger em procurar o apoio de uma estrutura mais robusta. Ao integrar a OpenAI, o engenheiro ganha acesso a recursos de segurança e infra-estrutura que seriam impossíveis de manter de forma independente, garantindo que a visão de agentes universais possa avançar sem comprometer a privacidade dos utilizadores.
O futuro do código aberto
Uma das maiores preocupações da comunidade após o anúncio foi o destino do OpenClaw enquanto projecto de código aberto. Steinberger foi rápido a tranquilizar os seus seguidores, ao afirmar que o projecto irá transitar para uma fundação independente. A OpenAI comprometeu-se a apoiar esta fundação, permitindo que o OpenClaw continue a ser um espaço para “pensadores e hackers” que desejam manter a soberania sobre os seus dados.
Sam Altman reforçou esta visão ao sublinhar que o futuro será “extremamente multi-agente”. Para o CEO da OpenAI, é fundamental apoiar o ecossistema de código aberto como parte integrante do desenvolvimento tecnológico global. Steinberger, por sua vez, confessou no seu blogue pessoal que se sentia sobrecarregado com o volume de propostas de investimento e conselhos contraditórios, decidindo que a parceria com a OpenAI seria a via mais rápida para “mudar o mundo” e levar esta tecnologia a todos os utilizadores.
A era dos agentes pessoais
Com esta contratação, a OpenAI prepara-se para integrar as capacidades de execução do OpenClaw directamente no ecossistema do ChatGPT e das suas API. A expectativa é que, num futuro próximo, a IA deixe de ser uma janela de chat isolada para se tornar num sistema operativo invisível, capaz de gerir a agenda, interagir com aplicações de produtividade e automatizar fluxos de trabalho complexos sem intervenção humana constante.
A integração de Steinberger na equipa de Sam Altman marca o início de uma nova fase na computação pessoal, onde a inteligência artificial não se limita a responder, mas passa efectivamente a agir.