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A ler: IRIS² entra em órbita para desafiar a Starlink
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PCGuia > Notícias > Internet > IRIS² entra em órbita para desafiar a Starlink
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IRIS² entra em órbita para desafiar a Starlink

A União Europeia activou a IRIS², a sua resposta à Starlink. Com um orçamento de 10 mil milhões de euros, a nova rede de satélites promete comunicações seguras e soberania digital para o Velho Continente.

Pedro Tróia
Publicado em 3 de Fevereiro, 2026
Tempo de leitura: 4 min
IRIS TEST
Imagem - UE
Neste artigo
  • O fim da dependência transatlântica
  • Arquitectura técnica
  • Geopolítica e o “factor Ucrânia”

A União Europeia deu o primeiro passo concreto para quebrar a hegemonia norte-americana no sector das comunicações por satélite de banda larga. Com o início das operações limitadas da constelação IRIS², Bruxelas sinaliza que a autonomia estratégica do Velho Continente não é apenas um conceito político, mas uma infra-estrutura tecnológica em pleno desenvolvimento. O projecto, que visa dotar a Europa de uma rede de conectividade resiliente e soberana, surge num momento de elevada tensão geopolítica, onde a dependência de infraestruturas privadas estrangeiras, como a Starlink da SpaceX, é vista como uma vulnerabilidade crítica.

O fim da dependência transatlântica

Durante anos, a Europa assistiu ao crescimento exponencial da SpaceX no domínio da órbita terrestre baixa (LEO). No entanto, o cenário mudou. Andrius Kubilius, o Comissário Europeu para a Defesa e Espaço, confirmou que os primeiros componentes da IRIS² (Infrastructure for Resilience, Interconnectivity and Security by Satellite) já estão operacionais. Este marco permite que os estados membros comecem a aceder à rede, inicialmente para fins governamentais e militares, marcando o início de uma nova era na conectividade europeia.

A IRIS² não é apenas uma resposta comercial; é uma necessidade de segurança. A rede foi desenhada para garantir comunicações encriptadas e ultra-seguras, protegendo os fluxos de dados críticos contra interferências externas. O projecto GOVSATCOM, que corre em paralelo, foca-se especificamente na entrega destas capacidades às autoridades governamentais, garantindo que, em caso de crise ou conflito, a Europa não fique refém de decisões tomadas em sedes corporativas do outro lado do Atlântico.

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Arquitectura técnica

Do ponto de vista técnico, a IRIS² apresenta uma abordagem sofisticada. Ao contrário da Starlink, que aposta numa constelação massiva de milhares de satélites em órbita baixa, a proposta europeia baseia-se numa arquitectura multi orbital. O plano prevê cerca de 290 satélites que combinam as vantagens da Low Earth Orbit (LEO) ou Órbita Terrestre Baixa, entre 160 e 2.000 km de altitude, que oferece baixa latência, crucial para aplicações em tempo real com a Medium Earth Orbit (MEO) ou Órbita Terrestre Média com altitudes entre 2.000 e 35.786 km.

Esta configuração híbrida permite uma cobertura robusta e uma redundância que é vital para infraestruturas críticas. Com um orçamento estimado em 10 mil milhões de euros, o consórcio responsável pela IRIS² está sob pressão para acelerar o calendário de implementação. Embora a SpaceX planeie ter 15.000 satélites em órbita até 2031, a Europa foca-se na precisão, na segurança de nível militar e no controlo estrito sobre as frequências e a operação da rede.

Geopolítica e o “factor Ucrânia”

A relevância estratégica da IRIS² foi sublinhada pelo pedido imediato de acesso por parte da Ucrânia. A experiência no terreno ucraniano demonstrou como a conectividade por satélite pode ser decisiva num conflito moderno, mas também revelou os riscos de depender de uma única entidade privada que pode, unilateralmente, restringir o acesso a serviços em zonas de combate.

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Kubilius disse que a IRIS² será “construída na Europa, operada na Europa e sob controlo europeu”. Esta afirmação surge num contexto em que a China desenvolve a sua própria “mega constelação” e a Rússia testa capacidades de contra-espaço. Para a União Europeia, possuir uma infra-estrutura que sirva tanto o cidadão comum — eliminando as “zonas mortas” de conectividade no continente — como as forças armadas, é o pilar fundamental da sua resiliência para a próxima década. O objectivo é claro: até 2030, a Europa deverá ter plena capacidade de comunicação global, independente e segura.

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Etiquetas:IRIS²satéliteStarlinkUEuniao-europeia
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