Partilhei aqui convosco o nascimento da Diella, a ministra-IA da Albânia. Seria talvez prematuro esperar tal coisa, mas Edi Rama, primeiro-ministro albanês, anunciou na Berlin Global Dialogue que a “senhora está grávida” de dezenas de secretários de Estado digitais. Não é metáfora política — é mesmo isto. A ideia é que estes bots acompanhem deputados, tirem notas, façam análises e sirvam de “tutores” do trabalho parlamentar. Uma espécie de creche digital ao serviço da República. Este detalhe educativo é útil agora que, em Portugal, andamos a discutir outra maternidade tecnológica: tutores de IA para cada aluno.
O ministro Gonçalo Matias diz que seria um desperdício não usar. Fernando Alexandre, ministro da Educação, afirmou que o programa que prevê que cada aluno «tenha um tutor de IA que ouve, orienta e inspira a aprendizagem» deverá ser apresentado em breve. A ideia é tentadora: personalização total, apoio constante, correcções imediatas, zero distrações. Tudo o que a escola real dificilmente consegue fazer com turmas enormes e professores exaustos.
Percebe-se a ideia de complementaridade, receia-se a desigualdade de acesso, o potencial viés, o controlo e transparência, mas pouco se fala na relação humana. Porque a educação não é apenas conteúdo, é acima de tudo relação. Os jovens tendem a imitar comportamentos, atitudes, modos de pensar: e um professor não é apenas transmissor de informação. É o mediador entre o aluno e o mundo. Ensina convivência, respeito, debate, espírito crítico.
Não haverá uma verdadeira educação sem uma referência humana. Et factum est, no meio disto tudo, continuamos sem saber quem é o pai da criança… eu sei lá, sei lá!