A Meta, gigante tecnológica liderada por Mark Zuckerberg, confirmou que irá iniciar ainda este ano os testes para novos níveis de subscrição premium no Instagram, Facebook e WhatsApp. Esta mudança estratégica, que surge após meses de desenvolvimento interno, visa diversificar as fontes de receita da empresa, integrando ferramentas avançadas de Inteligência Artificial (IA) e opções de personalização exclusivas. Ao contrário de uma abordagem de pacote único, a tecnológica planeia testar modelos distintos adaptados a cada aplicação, garantindo que as versões gratuitas, utilizadas por milhares de milhões de pessoas, permanecem inalteradas.
O trunfo da IA Manus com uma piscadela de olho à produtividade empresarial
No centro desta nova estratégia está a Manus, um agente de IA que a Meta adquiriu no final de 2025 por um valor estimado em dois mil milhões de dólares. A Manus especializa-se em IA conversacional adaptativa, capaz de executar tarefas complexas e processar pedidos contextuais com uma precisão superior aos modelos anteriores. A Meta pretende agora integrar esta tecnologia transversalmente no seu ecossistema de aplicações.
Internamente, a empresa encara a Manus com uma dupla função: um assistente para o consumidor final e um produto robusto para o sector empresarial. De acordo com fugas de informação partilhadas pelo conhecido “reverse engineer” Alessandro Paluzzi, já existem atalhos da Manus incorporados na interface do Instagram. Além da integração nas redes sociais, a Meta planeia oferecer a Manus como uma subscrição autónoma para empresas e programadores, posicionando-a como uma plataforma de produtividade capaz de rivalizar com as ferramentas de IA empresarial de gigantes como a Microsoft ou a Google.
Funcionalidades exclusivas e o regresso da privacidade no Instagram
Para o utilizador comum, a subscrição promete funcionalidades que há muito são solicitadas, mas que a Meta tinha evitado implementar. No Instagram, os testes iniciais sugerem que os subscritores poderão ver Stories de forma anónima e identificar rapidamente quais os seguidores que não retribuem o “follow”. Outra adição relevante será a capacidade de criar listas de audiência ilimitadas, oferecendo um controlo muito mais granular sobre quem vê cada publicação.
Estas ferramentas indicam uma viragem da Meta para um modelo de “personalização como serviço”. No entanto, a empresa mantém-se cautelosa quanto aos detalhes para o WhatsApp e Facebook, embora se preveja que a tónica seja colocada na gestão de privacidade e em ferramentas de organização de mensagens.
Gerador de vídeo Vibes entra no modelo “Freemium
Outro pilar desta estratégia é o Vibes, o gerador de vídeos de curta duração baseado em IA que reside na aplicação Meta AI. Embora tenha sido lançado como uma funcionalidade gratuita em 2025, a Meta prepara-se para transitar para um modelo “freemium”. Isto significa que, enquanto as funções básicas continuarão disponíveis para todos, as ferramentas de criação avançadas e a exportação de conteúdo com mais fidelidade ficarão reservadas para os utilizadores pagantes.
É importante notar que estes novos serviços funcionarão de forma independente do “Meta Verified”. Enquanto o programa de verificação actual se foca em criadores e figuras públicas que procuram suporte e visibilidade, estas novas subscrições são desenhadas para o utilizador comum e para pequenas empresas que procuram utilidade prática e controlo sobre a sua experiência digital.
Desafios de mercado e a “fadiga das subscrições”
Apesar do optimismo interno, os analistas de mercado alertam para o fenómeno da “fadiga das subscrições”. Com o aumento do custo de vida e a proliferação de serviços pagos, convencer o utilizador médio a pagar por redes sociais que sempre foram gratuitas será um desafio hercúleo. Contudo, o sucesso do Snapchat+, que ultrapassou os 16 milhões de subscritores com uma mensalidade de 3,99 dólares, serve de prova de conceito para a Meta.
A abordagem da tecnológica parece ser deliberadamente cautelosa: testar em mercados seleccionados, recolher feedback e escalar apenas o que demonstrar valor real. Para uma empresa que ainda retira a esmagadora maioria da sua receita da publicidade, estas experiências marcam o passo mais sério de sempre na tentativa de mudar a forma como interagimos — e pagamos — pelas plataformas digitais.