A Google anunciou esta semana uma actualização profunda nos sistemas de segurança do Android, introduzindo um conjunto de ferramentas avançadas destinadas a combater o furto de dispositivos e a proteger a integridade dos dados dos utilizadores. Através da integração de Inteligência Artificial (IA) e do reforço da autenticação biométrica, a Google pretende mitigar não só a perda física do hardware, mas sobretudo o risco de fraude financeira e roubo de identidade, que se tornaram as principais motivações dos criminosos na era da banca digital.
As novas funcionalidades, que começaram por ser testadas de forma faseada em mercados como o Brasil, estão agora a ser expandidas globalmente, abrangendo dispositivos desde o Android 10 até ao futuro Android 16. Esta estratégia de defesa em várias camadas actua em três momentos críticos: antes, durante e após a tentativa de furto.
Inteligência Artificial ao serviço da prevenção
Um dos pilares desta actualização é o “Theft Detection Lock” (Bloqueio por Detecção de Roubo). Este sistema utiliza modelos de IA e os sensores de movimento do telemóvel para identificar padrões físicos associados ao furto por “esticão” — quando um criminoso arranca o dispositivo da mão do utilizador e foge a correr, de bicicleta ou de mota. Ao detectar este movimento brusco, o ecrã bloqueia-se instantaneamente, impedindo que o assaltante aceda ao conteúdo enquanto o dispositivo ainda está desbloqueado.
Embora esta funcionalidade tenha tido um lançamento pioneiro no Brasil, onde a Google optou por activá-la por defeito devido aos elevados índices de criminalidade local, a sua expansão global demonstra a confiança da empresa na maturidade do algoritmo. Segundo a Google, o modelo de IA tem sido continuamente treinado desde 2024 para distinguir entre movimentos quotidianos e cenários reais de roubo, tornando o sistema cada vez mais difícil de contornar.
Bloqueio por autenticação falhada
Para os casos em que o criminoso já tem o dispositivo, a Google reforçou o “Failed Authentication Lock” (Bloqueio por Falha de Autenticação). Esta funcionalidade impõe penalizações mais severas após várias tentativas infrutíferas de introdução do PIN ou da biometria, ccom o aumento dos períodos de bloqueio para frustrar ataques de força bruta.
Existe, contudo, uma nuance técnica importante entre as versões do sistema operativo: enquanto a protecção base está disponível para versões anteriores, os utilizadores que usem dispositivos com o Android 16 (ou superior) terão acesso a interruptores de controlo dedicados nas definições. Isto permite uma gestão mais granular da eficácia da defesa, permitindo ao utilizador decidir o quão agressiva deve ser a resposta do sistema perante tentativas de acesso não autorizadas.
Nova verificação de identidade dupla por biometria
A segurança biométrica recebeu também um incremento significativo através da expansão do “Identity Check” (Verificação de Identidade). Esta funcionalidade passa agora a cobrir todas as aplicações que utilizem o sistema de solicitação biométrica do Android. Na prática, isto significa que mesmo que um ladrão consiga, por algum meio, ultrapassar o código do ecrã de bloqueio, será confrontado com uma barreira adicional de leitura de impressão digital ou reconhecimento facial para aceder a aplicações críticas, como o Google Password Manager ou apps bancárias.
Esta medida visa proteger o que a Google descreve como a “vida digital” do utilizador. Com a proliferação de carteiras de criptomoedas e dados empresariais nos telemóveis, a empresa reconhece que o valor do hardware é hoje secundário face ao potencial prejuízo financeiro decorrente do acesso a contas pessoais.
Bloqueio remoto mais simples e seguro
Por fim, a ferramenta “Remote Lock” (Bloqueio Remoto) foi optimizada para situações de emergência. Através do portal android.com/lock, os utilizadores podem bloquear o seu telemóvel utilizando apenas um número de telefone verificado. A grande novidade reside na introdução de desafios de segurança opcionais durante este processo, garantindo que apenas o legítimo proprietário — e não alguém mal-intencionado com acesso ao número de telefone — possa desencadear o bloqueio total do dispositivo.
Esta funcionalidade é compatível com dispositivos com Android 10 ou superior, garantindo que uma vasta maioria dos utilizadores activos possa beneficiar destas defesas, independentemente de possuírem o modelo mais recente de smartphone.