A Microsoft confirmou oficialmente este domingo, 25 de Janeiro de 2026, que está a investigar (mais) uma falha crítica na mais recente actualização de segurança do Windows 11 que está a deixar vários computadores inoperáveis. O problema, que surge na sequência da instalação do patch KB5074109 lançado a 13 de Janeiro, impede o arranque normal do sistema operativo, exibindo o erro “UNMOUNTABLE_BOOT_VOLUME” num ecrã preto. Esta situação afecta sobretudo PC com as versões 24H2 e 25H2 do Windows, agravando um mês que tem sido marcado por sucessivas falhas de estabilidade no ecossistema Windows.
O erro crítico: UNMOUNTABLE_BOOT_VOLUME
De acordo com o boletim técnico publicado pela tecnológica de Redmond, os dispositivos afectados entram num ciclo de falha logo após a tentativa de início de sessão. O sistema apresenta uma mensagem de erro indicando que o dispositivo encontrou um problema e precisa de ser reiniciado, mas a máquina acaba por ficar retida num estado de “boot failure”.
Embora a Microsoft classifique o número de incidentes como “limitado”, os relatos em fóruns da especialidade e no Feedback Hub sugerem uma incidência preocupante entre utilizadores domésticos e profissionais. Um detalhe técnico relevante é que, até ao momento, a falha parece estar circunscrita a hardware real (máquinas físicas), não havendo registo de problemas semelhantes em ambientes virtualizados. Esta distinção aponta para um possível conflito entre o código da actualização e controladores de armazenamento ou protocolos de comunicação de baixo nível com o hardware.
Um mês de “Patch Tuesday” para esquecer
Este incidente não é um caso isolado, mas sim o culminar de um mês desastroso para a equipa de desenvolvimento do Windows. O ciclo de actualizações de Janeiro de 2026, conhecido como “Patch Tuesday”, tem sido uma sucessão de erros graves. Antes desta falha de arranque, os utilizadores da versão 23H2 já se tinham queixado da impossibilidade de desligar ou hibernar os computadores.
Simultaneamente, nas versões mais recentes (24H2 e 25H2), surgiram problemas críticos no Remote Desktop, impedindo o acesso remoto a máquinas de trabalho. A situação tornou-se tão insustentável que a Microsoft foi obrigada a lançar duas actualizações de emergência (“out-of-band”) em menos de duas semanas para corrigir bugs que bloqueavam aplicações dependentes da nuvem, como o Outlook, o Dropbox e o OneDrive, quando estes tentavam aceder a ficheiros PST ou sincronizar dados.
Soluções temporárias e a resposta da Microsoft
Até que seja disponibilizada uma correcção oficial — que poderá chegar sob a forma de uma terceira actualização de emergência — os utilizadores afectados encontram-se numa posição delicada. Uma vez que o sistema não arranca, a única solução passa pela recuperação manual.
A recomendação actual envolve entrar no Ambiente de Recuperação do Windows (WinRE) e proceder à desinstalação manual da última actualização de segurança de Janeiro. Este processo, embora eficaz, exige conhecimentos técnicos que o utilizador comum poderá não possuir, obrigando muitas vezes à intervenção de serviços de assistência técnica. A Microsoft limitou-se a confirmar que está a “explorar potenciais correcções”, sem avançar com uma data concreta para a resolução definitiva do problema.
Crise na qualidade do software
A recorrência destes erros levanta questões sérias sobre o controlo de qualidade do software na Microsoft. Enquanto a empresa mantém um calendário rígido de actualizações mensais obrigatórias, a comunidade técnica critica a falta de testes exaustivos antes da distribuição global dos patches.
Existe uma clara discrepância de perspectivas: por um lado, a Microsoft minimiza o impacto, tratando-o como um evento isolado; por outro, especialistas e jornalistas do sector apontam para uma erosão da confiança no sistema operativo. Para muitos administradores de sistemas, o Windows 11 está a tornar-se uma “lotaria” onde cada actualização de segurança, desenhada para proteger o sistema, acaba por introduzir instabilidade e comprometer a produtividade.