O sonho de ter um “PC de sala” com o selo de qualidade da Valve a um preço de consola parece estar prestes a receber um “banho de realidade”. De acordo com listagens prematuras detectadas no código-fonte da loja online checa Smarty.cz, a nova Steam Machine poderá chegar ao mercado com preços que começam nos 800 euros para o modelo de 512 GB, subindo para mais de 900 euros na versão de 2 TB.
Embora estes valores possam incluir taxas regionais e margens de lucro, a revelação causou alguma agitação na comunidade.
O risco do “Efeito Windows”
A grande questão que muitos entusiastas colocam é: “Se a Valve conseguiu vender a Steam Deck a um preço agressivo, por que não faz o mesmo aqui?”. A resposta reside na natureza do hardware.
A Steam Deck é uma unidade fechada e optimizada. A maioria dos utilizadores mantém-se no ecossistema SteamOS, onde a Valve recupera o investimento através da venda de software. Já a Steam Machine é, essencialmente, um PC com um formato compacto. Se a Valve subsidiasse o hardware, nada impediria um utilizador de comprar a máquina, instalar o Windows e utilizá-la como uma estação de trabalho ou para jogar títulos de outras lojas (Epic, Game Pass), sem nunca gastar um cêntimo na Steam. É um risco financeiro que a empresa de Gabe Newell não parece disposta a correr desta vez.
A tempestade perfeita: RAM e a cadeia de abastecimento
Também não se pode ignorar o contexto macroeconómico de 2026. O sector enfrenta uma escassez de memória RAM, o que fez disparar os custos de produção de componentes para PC no final de 2025, que se prolongar durante 2026. Fontes próximas da cadeia de abastecimento sugerem que a Valve poderá até adiar o anúncio oficial das pré-reservas, inicialmente previsto para o início de 2026, enquanto tenta estabilizar os custos de fabrico para evitar desiludir os potenciais clientes com preços muito fora do esperado.
A Valve vai entrar num mercado em mutação rápida
Enquanto a Valve define o seu espaço no hardware, o ecossistema das consolas tradicionais continua a fragmentar-se. Notícias recentes indicam que a Microsoft está a abandonar definitivamente a exclusividade, com títulos como Fable e Forza Horizon 6 a caminho da PlayStation 5.
Este cenário coloca a Steam Machine numa posição peculiar: não compete directamente com a PS5 em termos de preços, mas sim com o mercado dos PC pré construídos de gama média-alta. A promessa de uma experiência “consola” na sala de estar, com SteamOS, terá de ser suficientemente robusta para justificar um investimento que quase duplica o das consolas tradicionais.
O que esperar a seguir?
A Valve prometeu mais detalhes para breve, mas a mensagem implícita é clara: a Steam Machine não é um brinquedo para as massas, mas sim uma peça de engenharia para quem exige o desempenho de um PC desktop sem as complicações de uma torre de secretária.