Esperemos o inesperado

Algumas actualizações de software são tremendamente importantes para o fabricante; muitas vezes, nem por isso para o utilizador.

A prática nem sempre conduz à perfeição. Sei, de sobejo, que nos dias seguintes ao lançamento de um sistema operativo terei uma torrente de telefonemas de amigos e conhecidos sobre novidades, surpresas boas e por vezes bem desagradáveis. Como costumo dizer-lhes (sem qualquer sucesso!): «A vossa fé no software e no hardware é admirável». São muito raros os casos de pessoas que conheço nos meus círculos pessoais e profissionais que fazem um pequeno compasso de espera antes de se atirarem “de cabeça” para uma actualização importante. E quando digo isto, não pretendo censurar ninguém, excepto aqueles que crêem profundamente que a segurança é algo em que só os outros pensam. Ou que pequenas tragédias tecnológicas só acontecem nos filmes de espiões… a verdade é que deveríamos ser todos um bocadinho mais precavidos.

Nunca como hoje houve tanta informação disponível sobre o que há de novo num sistema. Nunca como agora houve tanta lista de compatibilidades, tanto pré-aviso de possíveis dramas e problemas. Era por aqui que deveríamos todos começar, pelas questões de segurança que uma actualização mais ou menos importante pode trazer com ela. Tenho tudo salvaguardado? Posso repor o meu sistema em condições de trabalho normais, se algo correr mal? O meu hardware vai ter um desempenho capaz ou vai arrastar-se? As minhas aplicações são compatíveis com esta versão? Ou vou ficar sem algumas? Não me compete fazer aqui um manual de sobrevivência para actualizações de sistema, mas, porventura, faz imensa falta a um número significativo de pessoas tomar algumas providências e ler um pedacinho – ter precauções nunca fez mal a ninguém. A verdade é que são muito poucos os que seguem tão sábios conselhos: se fossem mais, poupavam-se muitas lágrimas e desgostos.

Algumas actualizações de software são tremendamente importantes para o fabricante; muitas vezes, nem por isso para o utilizador. Sim, fazem vender mais hardware, mas não deve haver nada mais frustrante que ir vendo uma máquina (seja ela qual for) ir perdendo faculdades, não por falência do material, mas por imposição de actualizações de software. Não defendo que fiquemos pelas versões mais antigas, mas sejamos razoáveis, esperemos o inesperado.