i-voting

A partir do momento em que se optar pelo i-voting ou pela digitalização do voto, o mesmo deixa de ser anónimo.

Glen Carrie/Unsplash

Em Janeiro surgiu o tema de uma possível implementação do i-voting em Portugal como possível solução para as pessoas isoladas. Este tema não é novo e surge agora como tema nacional, mas em muitas associações desportivas também tem sido discutido.

Como engenheiro informático, tenho de dizer que esta solução é uma péssima ideia. E perguntarão: «Então, alguém do Partido Pirata e Informático e é contra esta evolução tecnológica? Sim, passo a explicar.

Uma das principais razões para não se seguir este caminho é o do voto anónimo. A partir do momento em que se optar pelo i-voting ou pela digitalização do voto, o mesmo deixa de ser anónimo, porque precisamos de nos autenticar para garantir que uma pessoa não vota mais que uma vez. Mesmo que, na base de dados, não exista uma ligação directa entre voto e pessoa autenticada, de forma indirecta, com a data e hora, chega-se lá.

Por outro lado, é um sistema susceptível a ser hackeado: nada é 100% seguro, nem nunca vai ser. Apesar de as ferramentas de segurança evoluírem, as capacidades de processamento do hardware, os próprios hackers e as suas ferramentas também evoluem.

E, depois, há outra questão: quem é que tem acesso a estes dados gerados pelo sistema e como é que eles são geridos?

Muito mais poderia apontar aqui, mas fica também a nota de que todos os países em que o voto electrónico foi testado, acabaram por desistir. Na Alemanha, foi mesmo considerado inconstitucional em 2009. Quem se interessar por este, tema aconselho a ler o livro The Principles of LiquidFeedback.