Estou-me a ca*#r para isso!

E quem diria que a seguir ao vídeo o que ia mesmo estar a dar seria o... áudio?

Terá sido algo nascido dos tempos pandémicos e das overdoses de filmes e séries consumidas nas inúmeras plataformas de streaming. Terá sido da exportação das rubricas radiofónicas para um formato passível de ser consumido numa altura mais oportuna. Terá também sido de vermos cada vez mais pessoas de auscultadores nos ouvidos e/ou de poder ser algo que apreciamos, podendo desviar o sentido visual para outra tarefa – como se já não fizéssemos demasiado multitasking. Diria que terá sido a combinação de todas estas e mais algumas. Nas últimas semanas terá sido também o barulho à volta do podcast de Joe Rogan no Spotify, com artistas como Neil Young a deixarem a plataforma, por não quererem partilhar o espaço com os conteúdos do, talvez, mais ouvido podcaster.

Não terá sido por isso que David Sacks, COO fundador do Paypal, lançou esta semana o Callin. Para muitos dos que se aventuram na criação de podcasts, o processo de pós-produção ainda é, por norma, difícil, penoso e lento. O que a app Callin promete é facilitar todo esse processo com ferramentas “alimentadas” por inteligência artificial. Estes criadores podem, assim, focar-se no essencial – o conteúdo. Terá sido, no entanto, pela(s) bronca(s) de Rogan no Spotify que a Callin aceitará apenas conteúdo que não seja passível de ser banido das lojas da Apple e da Google.
Não se julgue, no entanto, que a Callin é a única a desafiar o Spotify. Mark Cuban, o infame shark, investiu numa app chamada Fireside, que promove e enfatiza a interactividade entre criadores e ouvintes, e que já está a ser apelidada de a ‘nova geração’ de plataformas para este tipo de conteúdo. O áudio está, efectivamente, a “bombar”!

Termino como uma nota pessoal, porque trabalhamos esta app na empresa que lidero. Estamos na era em que, se o seu médico lhe indicar que precisa de fazer um eletrocardiograma, tudo o que tem de fazer é sentar-se na sanita. A afirmação em título faz agora sentido, certo?