GAME CHANGERS

Chamar ‘game changer’ a um produto que já tinha “virado o tabuleiro”, parece quase uma ironia.
©Apple
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As pessoas do marketing anglófono adoram o termo ‘game changers’. Soa muitíssimo bem nos press releases dos lançamentos de hardware e é profusamente usado para descrever uma dada gama de produtos. Não sei se desta vez concordo com a Apple ao anunciar a nova linha de portáteis como ‘game changers’, pela simples razão de que a anterior já tinha elevado muitíssimo a fasquia da performance de portáteis, passando muito rapidamente a liderar os índices de comparação entre hardware de diversos fabricantes.

Um dos que está a arder em lume brando é claramente a Intel, que tem feito alguns esforços de marketing para maquilhar o que parece ser muito difícil de disfarçar, ou seja, a diferença de potência e eficiência quando a divisão dessa explicação chega a detalhes muito específicos como a gestão de processos em background ou a eficiência energética que permite ao M1 anunciar valores quase surreais de autonomia mesmo em tarefas ciclópicas de trabalho que há poucos anos requeriam um computador desktop.

Chamar ‘game changer’ a um produto que já tinha “virado o tabuleiro”, parece quase uma ironia. Ou é. Eles lá sabem os mega Hertz e os Watts com que se cosem… mas é destes golpes que se faz o mercado, há muitas respostas para dar da parte dos construtores que não querem perder terreno e quotas de mercado.

Mas não há almoços grátis. A etiqueta de preço que acompanha estes produtos, sobretudo nas versões topo de gama, faz com que o utilizador pense duas vezes (ou porventura até mais) antes de realizar um investimento deste calibre. A crescente integração, o custo de manutenção pós garantia, fará acrescer ao valor do equipamento, montantes de proteção como seguros e extensões de garantia.

É uma velha questão minha perante o mercado: o custo de serviço de um equipamento está cada vez mais próximo do valor investido. Os moldes industriais com que hoje os equipamentos são construídos já dinamitou, faz muito tempo, aquilo a que passámos a designar por “direito a reparar”; mesmo o mais apelativo dos equipamentos faz com que muitas questões se levantem.

Uma dessas é a cada vez maior importância da correcta avaliação de necessidades no dimensionamento da opção de compra. São inúmeras as situações que encontro na “vida real” de muitos profissionais que, no momento da aquisição, as subvalorizam, ficando depois “agarrados” a máquinas que não permitem o mais simples dos upgrades. Alguns dirão que são problemas do primeiro mundo. Pois são. Mas também são os problemas das nossas carteiras.

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