Dinheiro sujo

Sabe que se tiver vários cartões (contas) na app MB Way pode enviar e receber dinheiro instantaneamente entre essas contas sem pagar um tostão?
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Markus Spiske/Unsplash

«Não se aceitam pagamentos em dinheiro. Apenas multibanco (e contactless) ou MB way», fazia-se anunciar há poucos dias em pleno Estádio da Luz. De todos os locais que me tivesse lembrado terá sido ali, no intervalo de um jogo de acesso à Liga dos Campeões que, pela primeira vez, para comprar um pão com chouriço ou uma bifana, o vil dinheiro papel ou moeda não era bem-vindo.

Terá sido certamente a combinação de vários factores – as regras ainda apertadas do COVID-19, a UEFA e o MB Way – que nos aceleram todos os dias na direcção da ubiquidade das transações electrónicas. Vemos todos os dias noticiadas acusações de lavagem de dinheiro. Verdade, verdade é que, por mais limpo que seja, é sempre sujo. É papel a passar de mão em mão. Por muito que se goste das verdinhas, o caminho será mesmo a criptomoeda.

Das regras apertadas de acesso a este jogo faziam também parte, em primeira instância, um certificado digital de testagem ou vacinação que teria de ser lido por uma aplicação que valida o QR Code gerado no site da DGS. Depois, o bilhete para o jogo, a grande maioria também digital, também em formato QR Code, enviado por email após compra online ou na aplicação do Sport Lisboa e Benfica.

Escrevo há dez anos esta coluna. Sei bem dos pronúncios que fiz dos pagamentos mobile. Sei do que “corri” para que fosse a empresa que lidero que desenvolvesse a app do meu clube – não foi. Mas o caminho faz-se mesmo caminhando e lá dizia Lao Tsu que uma jornada de mil quilómetros começa com o primeiro passo. Da ubiquidade dos smartphones está-se a fazer a ubiquidade dos pagamentos digitais.

Pense nisto. Na maior parte das aplicações mobile bancárias paga para fazer uma transação urgente. Sabe que se tiver vários cartões (contas) na app MB Way pode enviar e receber dinheiro instantaneamente entre essas contas sem pagar um tostão? Foi certamente mais lento que o antevi mas, chegados aqui, se calhar no próximo Verão, já nem a bola de Berlim na praia se pagará em dinheiro “sujo”.

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