SHOT ON iPHONE – Parte 2

É engraçado ver toneladas de equipamento pesado que em vez de uma câmara comum em volume e peso tem na extremidade um “caged rig” com dois ou três iPhone.
Sven Brandsma/Unsplash

Para a realização são poucas as diferenças, talvez mais trabalhoso para o director de fotografia que precisa prestar mais atenção ao detalhe. Não é melhor nem pior, apenas diferente. É engraçado ver toneladas de equipamento pesado que em vez de uma câmara comum em volume e peso tem na extremidade um “caged rig” com dois ou três iPhone. Isso faz-me sorrir, olhar para trás e ver o caminho percorrido até este estado de coisas.

E por ser diferente, tem também os seus “quês”… mesmo em ambiente profissional há algum preconceito. Perante uma adversidade ou inconsistência técnica, pode ouvir-se um «Ah, se se usasse XYZ, isto não acontecia…». É normal. Tenderá a desaparecer, mas é normal. A frase «O melhor equipamento é o que tens ao alcance para gravar algo…» continua a fazer lei.

A verdade é que o material vai fluindo e é necessário um setup reforçado de comunicações entre câmaras e servidores de stream (onde um conjunto de Apple TV se revela precioso). Filmar em pandemia também tem os seus obstáculos. Com a equipa em Portugal e o cliente muito, muito longe, há streams a correr para que do outro lado do mundo os planos sejam vistos em tempo real durante a gravação e playbacks repetidos até à náusea. Para que isto tudo flua sem interrupções, há que garantir um reforço de banda que nem sempre é muito óbvio em cada localização. Mas neste admirável mundo novo tudo é possível, combinável e há hardware como solução para quase tudo. Filmar com iPhone não é muito diferente de fazê-lo com outras câmaras. Quando olho para um monitor e vejo cores mais vibrantes que no próprio set, chego a interrogar-me se algum dia conseguiria distinguir umas das outras. A vida num décor é muito agitada. Há dúzias de pessoas em missões diferentes, tudo tem de se compatibilizar mesmo que um Keygrip me infernize o juízo por ter de substituir três telefones que possam estar a ficar sem carga (mas nunca sem qualidade).

Podes até suar um bocadinho a tentar extrair cenas de um telefone que esteve dentro de água demasiado tempo, mas nada que um bom sopro não venha a resolver… e, no final de um longo dia de gravação, quando um realizador anuncia ‘Fim de dia’, há uma clara sensação de dever cumprido, e, porque não, de orgulho.