SHOT ON iPHONE – Parte 1

Há muito tempo que faço consultoria tecnológica no apoio a produções de fôlego e é muito raro, no caso das câmaras, o realizador impor o uso de smartphones.
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Há algum tempo que a Apple leva a efeito marketing relativo às câmaras utilizadas em iPhone, fazendo com que algumas obras registadas em vídeo tenham o selo ‘Shot on iPhone’. Não é um exclusivo da marca. Muitos outros fabricantes fazem o mesmo: é deveras importante mostrar bom trabalho e continuar a ajudar a construir uma reputação sólida.

Se na pós-produção, no áudio e no grafismo a Apple já não tem muito para construir, na captação e registo de imagem ainda há muito por fazer. Sejamos francos, se na produção profissional de um filme há maçãs por todos os lados possíveis e imagináveis, ao nível do hardware de câmaras, o cenário não é esse. Há muito tempo que faço consultoria tecnológica no apoio a produções de fôlego e é muito raro, no caso das câmaras, o realizador impor o uso de smartphones. Quando isso acontece, ou estamos na presença de uma cena de alto risco para o hardware, onde arriscar material orçamentalmente muito mais pesado de substituir (ainda para mais em plena rodagem onde todos os minutos contam), ou de takes em locais onde o volume da câmara pode ser introduzido sem incomodar o set ou mesmo ser naturalmente manuseado pelos actores.

Mas as coisas estão lentamente a mudar. Há poucas semanas foi rodada em Lisboa uma produção publicitária de uma multinacional holandesa destinada ao imenso mercado norte e sul-americano. O realizador, uma estrela do mundo publicitário que já criou filmes para mais marcas de renome que aquelas que eu consigo recitar em dez minutos, impôs que a captação de imagem fosse por completo feita em iPhone (houve uma ligeira excepção para uma cena que foi gravada por uma câmara GoPro). São equipamentos banais, iguais a qualquer um dos que temos nos nossos bolsos. A única diferença é que são muitos. Não porque haja um horror de câmaras em captação contínua, mas sim porque uma rodagem é uma operação quase militar de precisão e nada pode parar, porque um telefone ficou sem carga ou por qualquer questão técnica relativa a descargas do material gravado. Isto obriga a um autêntico carrossel de equipamento redundante.