Microsoft e Google contra a aquisição da Arm pela Nvidia

A compra da Arm pela Nvidia, anunciada há 5 meses, acaba de ganhar oposição de peso.
NVIDIA_Headquarters

Há cinco meses foi tornado público que Nvidia iria comprar a Arm, a empresa que desenha os processadores que estão dentro de qualquer smartphone e tablet do iOS ao Android, por 40 mil milhões de dólares. Contudo, como qualquer negócio desta dimensão, a Nvidia terá de o submeter à aprovação dos reguladores de mercado em vários países e blocos económicos. E, para complicar um pouco mais, algumas das maiores empresas de tecnologia estão contra o negócio e pedem aos reguladores que não o autorizem nos termos definidos actualmente.

A Nvidia desenha processadores gráficos (GPU) para uma grande variedade de segmentos de mercado de jogos e aplicações profissionais. Também desenvolve system-on-chip (SoC) e recentemente envolveu-se fortemente em tecnologias de inteligência artificial e machine learning, tendo lançado várias soluções para computação de alto desempenho (HPC), mercado automóvel, entre outros.

Como se pode perceber, a compra da Arm pela Nvidia pode alterar fundamentalmente a indústria das tecnologias. Visto que os chips desenhados pela Arm são utilizados numa grande variedade de dispositivos, como os smartphones e tablets, mas também em routers e muitos outros dispositivos que tenham necessidade de processar dados de uma forma mais ou menos intensa ou em hardware que necessite de processamento com baixo consumo energético.

Muitas empresas licenciam a propriedade intelectual da Arm, que é fundamental para o desenvolvimento dos seus próprios produtos, e é aqui que residem as preocupações das empresas que se opõem ao negócio. Segundo a Bloomberg, a Google, Microsoft e Qualcomm pediram aos reguladores para intervirem no negócio para forçarem alterações aos termos e uma destas empresas quer mesmo que o negócio não se concretize.

Para a Nvidia, os 40 mil milhões de dólares que vai pagar garantem aos actuais clientes da Arm que não vai bloquear o acesso de outras empresas à propriedade intelectual da empresa e que se vai manter neutra e está confiante que o negócio, tal como está, vai passar no crivo dos reguladores.

A Nvidia contrapõe num comunicado que diz: “À medida que avançamos no processo regulatório estamos confiantes que tanto os reguladores, como os clientes, verão os benefícios dos nossos planos para prosseguir com o modelo de licenciamento aberto já existente na Arm e para garantir uma relação de colaboração transparente com todos as entidades que têm uma licença da Arm. A nossa visão para a Arm irá ajudar os parceiros a fazerem crescer os seus negócios e a expandi-los para novos mercados.”

Estas declarações fazem eco daquilo que a Nvidia tem afirmado desde sempre: que não tenciona estragar um negócio que funciona. Contudo, o negócio está nas mãos dos reguladores.