A extraordinária fábula dos dois universos

Apple app store

Resumo dos episódios anteriores: havia um reino chamado Apple e certo dia um cavaleiro chamado Epic Games decidiu casar com a filha mais lucrativa do reino da maçã. Acertaram-se os termos de casamento, o cavaleiro aceitou que uma fatia percentual das suas prendas de casamento fossem entregues ao rei Cook.

Tudo corria bem até que se percebeu que havia milhões de prendas a caminho da cerimónia e o cavaleiro decidiu alterar a forma de entrega das prendas, em vez de serem entregues no castelo do rei Cook, passavam a ser entregues directamente à Epic, evitando assim o controlo das riquezas. O rei não gostou da alteração dos termos contratuais que tinham sido acordados e expulsou do seu castelo, não apenas o Cavaleiro Epic, mas proibiu toda a sua família de frequentar o seu reino…

Não me compete tomar partido, tenho uma opinião pessoal que neste assunto é irrelevante mas há aqui alguns aspectos que me fazem pensar de onde a Apple veio e todo o trajecto para estar onde está.

A mudança de posição da Epic Games está longe de não ser censurável. Quando aceitou dar à Apple uma fatia de 30% das suas vendas na App Store não o fez de forma leviana (penso eu), e com isso ficou amarrada a um compromisso que mais tarde decidiu não cumprir, introduzindo na aplicação Fortnite um atalho que lhe permitiria evitar que esse pagamento passasse pelo controlo da Apple. Claro está, estamos a falar de milhões. A Apple decidiu banir a Epic da Store, a Epic retaliou (no próprio dia com alguns vídeos humorísticos e com uma ação judicial). A Epic decide, com esta acção, explorar a pressão da opinião pública sobre abuso de posição dominante.

Mas a Apple foi mais longe (e não é menos censurável que o tenha feito, além do título em si, baniu da sua loja o “motor” que a Epic vende a outros programadores (que se chama Unreal). Esse “motor”, ao ser banido vai provocar problemas a muitos outros parceiros da Apple e da Epic, inviabilizando o uso das suas aplicações no universo iOS. Batendo onde dói mais, arrastando para o confronto organizações que nada têm a ver com esta briga de cachorros muito grandes. A corda vai esticar a acabará por partir. Não sei para que lado. Sem a questão do abuso seria fácil adivinhar. Assim, não sei, não…