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Vídeos antivirais

O Astronaut.io mostra-nos vídeos do YouTube com zero visualizações.

Existem vídeos que nunca serão tão populares como os dos youtubers de sucesso. São jogos de voleibol de liceu, mensagens de parabéns, adolescentes asiáticas à conversa e outras coisas sem interesse para ninguém. Acompanhem-me numa nova incursão por sites que não servem para mais nada senão perder tempo.

O Astronaut.io, criado por Andrew Wong e James Thompson, mostra-nos vídeos do YouTube com menos de uma semana, títulos iguais ao nome do ficheiro original e zero visualizações. Vemos um segmento de alguns segundos e depois passamos para um novo vídeo.

A ideia é olhar para esses momentos arquivados no maior repositório de vídeo da Web como se fossemos astronautas de visita a outro planeta, mas é o nosso. Entramos em contacto com os pequenos momentos da espécie humana como se fosse a primeira vez. Vi um pouco de tudo: ensaios de peças de teatro, um miúdo a aprender a andar de skate enquanto o pai o incentivava, uma mulher a ler uma história infantil, serviços religiosos, desportistas de fim-de-semana e operários em fábricas.

Tanto estamos a passear em Évora, Rua 5 de Outubro acima, pela visão de uma câmara de um turista japonês como somos convidados de um casamento na China ou parte de um grupo de gente à conversa sentada em cadeiras de plástico minúsculas, à beira-rio.

A sucessão de pequenos eventos que não querem ser relevantes é o que dá o encanto a esta viagem e ajuda-nos a perceber que a realidade, sem os filtros glamorosos das redes sociais, é algo mundano. Em todo o lado a vida continua, feita das pequenas coisas que fazem o todo enorme que é a Humanidade. Podem ser chatas, repetitivas, podem não causar inveja, mas são a vida real, tal como ela é em toda a glória da sua banalidade.

A vossa experiência será diferente da minha, mas o essencial mantém-se. O vídeo que mais gostei foi de uma mulher vestida de preto, lenço vermelho na cabeça, a cantar em frente de uma parede branca: «Juntos podemos más, por qué estar separados». Não é preciso ser-se astronauta para perceber isso.

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