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O Que Vem à RedeOpinião

Vamos todos morrer

Alexandre Gamela
Publicado em 1 de Maio, 2020
Tempo de leitura: 2 min
luke peters - Unsplash

Fomos educados para este cenário a vida toda, mas parece que não aprendemos. Tantos filmes catástrofe, jogos passados em cenários apocalípticos e séries de zombies já nos deveriam ter preparado para saber viver civilizadamente sob um estado de emergência.

Por causa do ‘vocês-sabem-o-quê,’ o nosso quotidiano deu uma grande volta. Para muitos – como eu – foi a consciência de que já vivíamos em quarentena: fechados em casa a trabalhar e a evitar pessoas a maior parte do tempo. E parem de instagramar o vosso home office, é como se tivessem descoberto para que serve um bidé. Não é nada de mais e também temos um.

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Imaginem se isto tivesse acontecido nos anos oitenta, com dois canais de TV. As ruas seriam tomadas por motins. Se não acreditam, é porque não viveram nessa década. Agora há esta ferramenta incrível que permite estarmos juntos, mesmo isolados. E mais de cem canais.

Este deveria ser um momento de reflexão sobre as nossas prioridades individuais e sociais. É claro que qualquer iluminação filosófica irá pela pia abaixo assim que for levantado o estado de sítio, mas deixem-me pensar que nem tudo se irá perder no vómito do primeiro fim de semana com bares abertos.

A minha revelação já aconteceu: defini quais dos meus amigos irão fazer parte da minha equipa em caso de apocalipse zombie. Estou muito desiludido com a maioria. E, a partir de agora, irei avaliar as pessoas pela quantidade de rolos de papel higiénico que têm armazenados na despensa, mais que pelas suas estantes de livros.

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No dia em que lerem isto, a situação já deverá ter melhorado. Uma coisa é certa: vamos todos mesmo morrer, eventualmente. O importante é como nos comportamos até lá.

Saúde. Nós sobrevivemos a isto.

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Etiquetas:Estado de emergênciaOpiniãoquarentena
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