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Enigma

Um reflexão sobre a Huawei e a importância do 5G.

«A história repete-se sempre, pelo menos duas vezes», disse Hegel. Karl Marx acrescentou: «A primeira vez como tragédia, a segunda como farsa».

Se no período denominado ‘Guerra Fria’ – entre o final da Segunda Guerra Mundial e a extinção da União Soviética – era na corrida ao armamento nuclear que se mediam forças entre as superpotências mundiais, em 2019, a arma de arremesso são as infraestruturas tecnológicas. No caso que tem dominado a tensão comercial entre os EUA e China é a estrutura que suportará o 5G. É aqui que a Huawei foi metida ao barulho, embrulhada num pacote de setenta empresas que o presidente dos EUA decidiu colocar numa espécie de lista negra que as impede de fazer trocas comerciais com empresas norte-americanas.

O que imediatamente saltou para os media foi o corte de relações imposto pela Google à Huawei, que impede a marca chinesa de usar o sistema operativo Android, nomeadamente, no corte ao acesso a actualizações de segurança, a novas versões do sistema ou mesmo do acesso dos terminais da marca à Play Store. Mas, desta vez, não é nas permissões solicitadas por esta, por vezes, sorrateira, desnecessária e displicentemente aceites pelos utilizadores, que o problema emergiu. O 5G vai causar uma nova disrupção tecnológica. Outra. Do desenvolvimento dos sistemas de Inteligência Artificial, que terão aplicabilidade transversal e vão da condução autónoma à Internet das Coisas, ou da agricultura à medicina, tudo passará, de uma forma ou de outra, a estar ligado, conectado… online.

A regulamentação que permitirá a segurança de toda a informação trocada entre tudo e todos é o nuclear desta e da próxima década. A questão que se pode colocar hoje é se a rede 5G da Huawei é um cavalo de Tróia, como parece querer afirmar Donald Trump, ou se esta é mais uma mensagem ao estilo das enviadas pelas máquinas Enigma, usadas pela marinha alemã durante a Segunda Guerra Mundial, para criptografar os novos embates entre as superpotências mundiais. A verdade é que a primeira vez não se saldou numa tragédia por pouco, mas esta segunda tem sido uma constante farsa.

 

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