OpiniãoPraia das Maçãs

Privacidade e água-benta, cada um toma a que pode

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Não sou propriamente uma virgem púdica em matéria de segurança de dados. Sei dos riscos, sei das ameaças, sei do que são capazes os programadores bem e mal-intencionados. Sei do que pode acontecer quando um universo de aplicações interagem dentro dos meus equipamentos. Todos nós deveríamos ter consciência de cada uma dessas interações. A verdade é que não temos.

Um dos meus mais preciosos bens é a minha carteira de contactos. Lá diz o velho ditado: «Se não sabes algo, tenta ter o contacto de quem saiba». Ao longo da minha vida profissional, o meu Address Book contém dezenas de milhares de registos que prezo incondicionalmente e constitui, por isso, um acervo de dados tremendamente importante. O sector mais importante de todos os meus dados. Em caso de catástrofe de perda, trocaria de bom grado todo o resto do meu espólio digital por esta fatia.

Sendo tão vitais para mim, zelo por eles como por mais nenhum outro, seja em termos de manutenção (e hoje em dia uma base de dados de contactos degrada-se em quantidades impressionantes à mínima distração) seja em termos de salvaguarda. Não concedo qualquer autorização de leitura do meu Address Book que não seja essencial à minha vida. Se eles são importantes para mim, a sua reserva de consulta é também importante para os próprios. Defini esta regra há anos e não me tenho dado propriamente mal.

Com este volume de dados e múltiplos equipamentos, é normal que possam. aqui e ali surgir problemas de sincronização. Às vezes pelos motivos mais singelos. Aconteceu ontem. Dei por falta de alguma velocidade de sincronização e decidi averiguar. Quando pretendo perceber o que se passa neste domínio, costumo abrir uma “ficha” de controlo. Um “ser” anónimo que dá pelo nome de João Teste. Só é usado para experiências (não tenho nenhum contacto chamado João Teste com o número de telefone 123 456 789. Quando acabo estas manobras, basta-me digitar ‘Teste’ no address book e eliminá-lo. Mas ontem, por mera preguiça, não fiz. Criei um registo novo e chamei-lhe ABABA (imaginem os meus dedos a digitar à vez).

Quando terminei, não apaguei o registo. Está lá! No primeiro lugar dos meus contactos o Senhor ABABA. O meu Address Book não é partilhado com ninguém. Pensava eu. Até abrir a app do Facebook e ver as sugestões de amigos. A primeira dessas sugestões é um tal Ababa. E a segunda. E a terceira. Todos os Ababa do mundo estão a ser-me sugeridos. Adeus, inocência.

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