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PCGuia > Opinião > Praia das Maçãs > Privacidade e água-benta, cada um toma a que pode
OpiniãoPraia das Maçãs

Privacidade e água-benta, cada um toma a que pode

Pedro Aniceto
Publicado em 6 de Novembro, 2018
Tempo de leitura: 3 min
Security New

Não sou propriamente uma virgem púdica em matéria de segurança de dados. Sei dos riscos, sei das ameaças, sei do que são capazes os programadores bem e mal-intencionados. Sei do que pode acontecer quando um universo de aplicações interagem dentro dos meus equipamentos. Todos nós deveríamos ter consciência de cada uma dessas interações. A verdade é que não temos.

Um dos meus mais preciosos bens é a minha carteira de contactos. Lá diz o velho ditado: «Se não sabes algo, tenta ter o contacto de quem saiba». Ao longo da minha vida profissional, o meu Address Book contém dezenas de milhares de registos que prezo incondicionalmente e constitui, por isso, um acervo de dados tremendamente importante. O sector mais importante de todos os meus dados. Em caso de catástrofe de perda, trocaria de bom grado todo o resto do meu espólio digital por esta fatia.

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Sendo tão vitais para mim, zelo por eles como por mais nenhum outro, seja em termos de manutenção (e hoje em dia uma base de dados de contactos degrada-se em quantidades impressionantes à mínima distração) seja em termos de salvaguarda. Não concedo qualquer autorização de leitura do meu Address Book que não seja essencial à minha vida. Se eles são importantes para mim, a sua reserva de consulta é também importante para os próprios. Defini esta regra há anos e não me tenho dado propriamente mal.

Com este volume de dados e múltiplos equipamentos, é normal que possam. aqui e ali surgir problemas de sincronização. Às vezes pelos motivos mais singelos. Aconteceu ontem. Dei por falta de alguma velocidade de sincronização e decidi averiguar. Quando pretendo perceber o que se passa neste domínio, costumo abrir uma “ficha” de controlo. Um “ser” anónimo que dá pelo nome de João Teste. Só é usado para experiências (não tenho nenhum contacto chamado João Teste com o número de telefone 123 456 789. Quando acabo estas manobras, basta-me digitar ‘Teste’ no address book e eliminá-lo. Mas ontem, por mera preguiça, não fiz. Criei um registo novo e chamei-lhe ABABA (imaginem os meus dedos a digitar à vez).

Quando terminei, não apaguei o registo. Está lá! No primeiro lugar dos meus contactos o Senhor ABABA. O meu Address Book não é partilhado com ninguém. Pensava eu. Até abrir a app do Facebook e ver as sugestões de amigos. A primeira dessas sugestões é um tal Ababa. E a segunda. E a terceira. Todos os Ababa do mundo estão a ser-me sugeridos. Adeus, inocência.

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Etiquetas:Address BookOpiniãoPraia das MaçãsprivacidadeProtecção dos dados
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