Acer AH101

A análise ao headset de realidade virtual da Acer.

Há pouco tempo passou por cá um dos melhores headsets de realidade virtual à venda actualmente, o HTC Vive. O HTC custa mais que este headset da Acer, mas será melhor?

Assim que tirei o headset de dentro da caixa vi logo uma coisa que os colocou para sempre no topo, pelo menos no que toca à utilização: o visor pode ser colocado para cima facilmente, graças às dobradiças que estão colocadas na junção com a peça que o agarra à cabeça do utilizador. Os HTC tinham de ser tirados para que o utilizador pudesse ver o que se passa no “mundo real”. Nos Acer, basta virá-los para cima. É um autêntico “ovo de colombo”…

Mas adiante. A configuração dos Acer é facílima, basta ter uma entrada HDMI livre na gráfica ou computador portátil e uma tomada USB para ligar os óculos. Se quiser usar os comandos, o computador terá de ter Bluetooth para que estes consigam comunicar com a máquina. O emparelhamento é simples e tudo fica a funcionar rapidamente.

Ao contrário de outros headsets de realidade virtual que utilizam projectores de infravermelhos para darem um ponto de referência aos óculos, neste caso são os próprios óculos que, através de um par de câmaras colocadas na parte da frente, fazem o mapeamento do espaço circundante para arranjar pontos de referência para saberem para onde estão virados e através dos sensores internos, saberem em que posição estão. Estas câmaras também servem para ver onde estão os comandos através da constelação de LED brancos que têm na ponta. Os comandos não têm baterias recarregáveis, em vez disso utilizam as boas e velhas pilhas AA para funcionar.

Os comandos têm um manípulo e um trackpad redondo na parte de cima e três botões. Sendo que um deles é um gatilho montado na parte da frente. Dentro da caixa encontra um par de comandos, um para cada mão, mas com a mesma configuração de botões. Também tremem para dar feedback táctil durante a utilização.

Toda esta facilidade de configuração só é possível porque a última versão do Windows 10 já inclui um software chamado Mixed Reality Platform que consegue providenciar todo o suporte para este hardware e funcionalidades.

Os Acer AH101 têm um ecrã que oferece uma resolução de 2880 x 1440 (um pouco acima dos 2160 x 1200 oferecidos pelos HTC). Com 706 ppi, a densidade de pixéis do ecrã do Acer é substancialmente maior que a do Vive que se situa nos 455 ppi. Isto é importante porque, neste caso, quanto maior for este valor, maior será a qualidade da imagem que o utilizador precepciona devido às lentes e à proximidade dos olhos como ecrã.
Há um valor em que os Acer ficam a perder para os Vive: o ângulo de visão. No headset da HTC o angulo é de 110 graus enquanto que no da Acer fica-se pelos 100. Isto impacta directamente na sensação de visão periférica que o utilizador tem durante a utilização. Aliás um dos truques para se conseguir alguma vantagem nos jogos FPS é forçar uma angulo maior nos ecrãs para se conseguir ver os adversários nas margens da imagem antes de eles o conseguirem ver.

Experimentei o headset com alguns jogos VR disponíveis na loja Steam através da plataforma ValveVR. A Microsoft disponibiliza um módulo de software na própria loja Steam que serve exactamente para se conseguir usar os headsets Windows com os títulos de realidade virtual que estão na Steam.

A máquina utilizada foi um computador com Windows 10 64 bits, 32 GB de memória RAM DDR 4, processador Core i9 e uma gráfica 1080 Ti.

Os jogos utilizados foram Space Pirate Trainer, um shooter jogado de pé, EVE Valkyrie – Warzone um shooter multiplayer espacial e o excelente Elite Dangerous o simulador de vôo, combate e comércio espacial.

A experiência de utilização foi algo díspar, enquanto que a diferença para os HTC não se nota tanto no EVE como no Elite, no Space Pirate Trainer a coisa foi menos agradável. Tudo parecia um pouco mais lento que na altura em que testei o HTC. Aqui nota-se um pouco a falat de um angulo um pouco maior porque havia algumas naves que conseguiam atacar-me sem dar por isso. No entanto é tudo uma questão de estar sempre mexer-se e olhar para todo o lado.

Os comandos funcionam como deve ser, sem grande lag, mas parecem ser um pouco frágeis. Acho que se der com um num móvel o disco superior sai disparado.

Ponto final

Por 500 euros, este headset da Acer é bastante mais barato que os HTC e Oculus Rift. A configuração é muito mais simples que a dos produtos concorrentes para PC e a experiência de utilização é boa. Falta-lhe só um ângulo de visão um pouco maior.No campo do software, a possibilidade de se usar os títulos da Steam é uma boa jogada por parte da Microsoft, porque hardware sem software não serve para nada.

+Configuração
+Dá para usar os títulos para realidade virtual que estão na loja Steam
-Ângulo de visão menor que o da concorrência

Funcionalidades: 1
Experiência de utilização: 4
Preço/qualidade: 3
Nota final: 8

Distribuidor: Acer
Contacto: acer.pt
Preço: €499

Ficha técnica

Taxa de actualização máxima: 90 Hz
Ligação dos comandos e headset: Bluetooth
Sensores internos: Giroscópio, magnetómetro, sensor de proximidade
Campo de visão: 100 graus
Ecrãs: 2 x 2,89 polegadas
Resolução máxima: 2880 x 1440
Densidade: 706 ppi
Ligações: jack 3,5 mm, HDMI, USB 3.0

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Sou director da PCGuia há alguns anos e gosto de tecnologia em todas as suas formas. Estou neste mundo muito por culpa da minha curiosidade quase insaciável e por ser um fã de ficção científica.
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