Impacto na economia após a eleição de Trump

Donald Trump
Donald Trump

Este ano, juntamente com a votação a favor do Brexit, houve dois resultados que pouca gente antecipava e que afetam a economia global de forma muito significativa.

Com tanta oscilação nos mercados, deve sempre consultar empresas como a IG para investimentos responsáveis.

Estes dois resultados também demonstram que, apesar de algumas pessoas não estarem completamente cientes do voto e das consequências do mesmo, estão à procura de uma mudança, o que significa que estão literalmente insatisfeitas com a situação em que estavam. Essa é talvez a principal conclusão que se pode fazer olhando para os resultados destas eleições.

Relativamente à eleição de Donald Trump, outra das coisas que ficou patente na sua candidatura e o que provavelmente lhe rendeu muitos votos durante a campanha, independentemente do seu discurso xenófobo e agressivo, foi o facto de ir incidir uma boa parte da sua estratégia política e económica no protecionismo do mercado interno dos Estados Unidos, em detrimento das importações e negócios internacionais. Vejamos exemplos de cidades como Chicago, Detroit ou Cleveland e estados como o Texas ou o Alasca que viveram e cresceram durante muitos anos com a indústria interna que lá tinham. Fosse indústria fabril, automóvel, petróleo, etc. a verdade é que nos últimos anos e em virtude da internacionalização e facilidade de acordos, muitas destas empresas e indústrias cessaram a sua atividade e acabaram por se mudar para países como a China, por exemplo, com uma mão-de-obra muito mais barata. O que Trump prometeu foi acabar com essa internacionalização e apostar novamente nas indústrias nestas cidades e estados, onde muita gente ficou desempregada, após décadas de trabalho, sem possibilidades de arranjar trabalho noutra área e alguém como Trump era o que desejavam ouvir. Por outro lado, o que a eleição de Trump traz, não só a nível interno nos Estados Unidos, mas também a nível global, é uma incerteza política muito grande. Isto porque Trump não é completamente insensato como se julga e o que ele fez com o império que herdou é a prova disso, fez muitas promessas que não se sabe se irá cumprir, irá acabar e já acabou com muitos acordos que eram vistos como uma evolução a nível internacional de cooperação, economia e imigração e irá deteriorar relações internacionais delicadas que estavam controladas, como era o caso com a Rússia, China ou alguns países do Médio Oriente. Nesse aspeto, Trump tem a capacidade para aproveitar essa incerteza a favor dele, contudo, passa uma imagem demasiado hostil e revolucionária em situações que se encontravam resolvidas e isso irá mudar muitas relações internacionais e mesmo internamente irá mudar muito o panorama americano e o seu estilo de vida. Com Trump, surge ainda outra situação que se deve ao facto de ser muito expansivo e agressivo na comunicação que se prende com as promessas que fez, que se não forem cumpridas, irá sofrer num curto prazo com o próprio eleitorado. Se não conseguir aumentar os salários mais baixos ou apostar em indústrias que não têm como concorrer com países como a China, por exemplo, pode mesmo perder muito do seu apoio brevemente.

A juntar a tudo isto, é o primeiro Presidente dos Estados Unidos que se recusou a mostrar a sua declaração de rendimentos, e ao mesmo tempo quer rever um sistema fiscal todo, o que não revela grande transparência ou coerência, e poderá também ter um impacto negativo com o seu eleitorado.

Com tudo isto, duas coisas são certas, a única forma que Trump tem de melhorar ainda mais a posição dos Estados Unidos no mercado global é às custas da Europa, uma vez que, com os outros continentes, ou os principais “players” dos outros continentes, é difícil que o consiga fazer com a entrada que teve. Outra coisa que é certa é o facto de que se irá assistir a uma das maiores experiências económicas da história mundial, cujo desfecho ninguém consegue prever.