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Missão Gaia procura novos asteróides no Sistema Solar

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Pela primeira vez, a missão Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) não está apenas a fornecer informações cruciais para a compreensão dos asteróides conhecidos, mas também começou a procurar novos asteróides, anteriormente desconhecidos dos astrónomos. As observações da Gaia de asteróides conhecidos já forneceram dados que foram usados para caracterizar as órbitas e as propriedades físicas desses corpos rochosos de uma forma mais precisa do que nunca.

O processo de identificação de asteróides nos dados da Gaia começa com a solução de software IDT que foi desenvolvida na Universidade de Barcelona. Esta solução compara múltiplas medições recolhidas da mesma área e escolhe os objectos que são observados, mas não podem ser encontrados em observações anteriores da área.

É provável que estes não sejam estrelas mas, contrariamente, objectos do Sistema Solar que se movem através do campo de visão da Gaia. Uma vez encontrados, os pontos anómalos são processados por um filtro informático no centro de dados do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) em Toulouse, França. Aqui, a fonte é cruzada com todos os corpos menores conhecidos no Sistema Solar e se nenhuma correspondência for encontrada, então a fonte é um asteróide completamente novo, ou um que só foi vislumbrado antes e nunca teve a sua órbita caracterizada com precisão.

Um asteróide, apelidado de Gaia-606, foi encontrado em Outubro de 2016 quando os dados da Gaia mostraram uma fonte fraca e movediça. Os astrónomos foram capazes de prever a posição do novo asteróide a partir do solo, durante um período de alguns dias. Então, no Observatório de Haute Provence (Sul de França), William Thuillot e os seus colegas Vincent Robert e Nicolas Thouvenin (Observatório de Paris/IMCCE) conseguiram apontar um telescópio para as posições previstas e mostrar que este era realmente um asteróide que não correspondia à órbita de qualquer objecto do Sistema Solar catalogado anteriormente.

No entanto, apesar de não estar presente em qualquer catálogo, um mapeamento mais detalhado da nova órbita mostrou que já existem algumas, embora escassas, observações do objecto. Isto não é incomum com novas descobertas onde, como com o Gaia-606 (agora renomeado 2016 UV56), objectos que inicialmente aparentavam ser totalmente novos acabassem por ser re-avistamentos de objectos cujas observações anteriores não foram suficientes para mapear as suas órbitas.

«Embora o papel principal de Gaia na ciência do Sistema Solar continue a ser a sua capacidade de caracterizar o movimento e as propriedades físicas dos asteróides conhecidos, mostrou agora que também pode desempenhar um papel na busca de novos, adicionando-os ao seu catálogo cada vez maior de objectos do Sistema Solar», afirma Paolo Tanga, cientista do Observatório da Costa Azul, França, e responsável pelo processamento das observações do Sistema Solar.

Via Agência Espacial Europeia.

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