Reportagem PC Guia

Jorge Sá Couto: «Investimento no Magalhães foi perdido em Portugal»

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A conferência de imprensa convocada pela JP Sá Couto tinha como objectivo principal anunciar o rebranding da marca, mas foi o ‘caso’ Magalhães que aqueceu a conversa com os jornalistas ontem, durante um pequeno-almoço num hotel de Lisboa.

Todos conhecemos o Magalhães: um dos maiores projectos tecnológicos portugueses («não foi um projecto educativo», como sublinhou João Paulo Couto, que preferiu destacar o e-Escolas, neste âmbito) que proporcionou aos alunos do ensino primário, em muitos casos, o seu primeiro contacto com um computador.

Durante muito tempo, no Governo de Sócrates, ficou-se com a sensação de que poderia estar aqui um projecto a longo termo para inovar o ensino nas salas de aulas e alargar, quem sabe, a presença do Magalhães a outros ensinos.

Contudo, depois de Sócrates ter saído do poder, o Magalhães caiu no esquecimento: «O investimento podia ter sido mais bem utilizado, foi perdido em Portugal. Podia ter havido mais formação e empresas a desenvolver mais software para o Magalhães…», confessou João Paulo Couto.

É por isso que, no que respeita à tecnologia dedicada à educação, Portugal «deixou de ser uma prioridade», uma vez que «há mais oportunidades lá fora». E, pelos números apresentados pela JP, isto confirma-se.

Argentina, Venezuela, Uruguai são alguns dos países que continuam a usar o Magalhães na educação (cada país tem um nome próprio para o computador) e a marca já atingiu os mil milhões de euros em vendas deste equipamento, desde 2008. «O Magalhães foi mais reconhecido lá fora que em Portugal», disse João Paulo Couto, para encerrar o tema Magalhães.

A conversa com os jornalistas acabou por passar muito por este projecto, que acaba por ser o que mais visibilidade deu à empresa portuguesa num passado próximo, mas a justificação para o encontro com a imprensa foi o rebranding da JP Sá Couto.

JPGroup Perfil
Faça aqui o download em PDF do perfil da nova marca JP.Group.

A marca, que se viu recentemente envolvida num processo judicial por fraude fiscal (entretanto foi absolvida), decidiu dividir-se em quatro grandes áreas: Distribuição, Educação, Serviço IT e Investimentos. O novo nome da JP Sá Couto passa a ser JP.Group, que vai servir de “umbrella” para estas “sub-marcas”.

Assim, nascem as unidades de negócio JP.DI, JP.IK, JP.IS e uma divisão com um orçamento que é visto caso a caso para investir em outras empresas, «sempre que possível como sócios maioritários», sublinhou Jorge Sá Couto. No portfólio actual do JP.Group estão, por exemplo, a AlgaPlus (biologia), a AMG (transportadora), Imotsu (imobiliária) e até um canal de televisão, o Porto Canal (aqui, a participação é residual).

Outro dos objectivos do JP.Group é servir de «incubadora para apoiar empresas ou projectos verticais» revelou Nuno Oliveira, assessor da administração do JP.Group: é o caso da IRIS, onde está a ser desenvolvido um smartphone robusto para forças de segurança e serviços; e da O2, empresa que está a criar um dispositivo móvel para ser usado em ambiente hospitalar.

No mercado do retalho em Portugal (que representa 35 milhões de euros para a empresa – é distribuidora de quase cem marcas), e com os projectos de educação “enterrados”, o JP.Group vai apostar na “ressurreição” da marca de portáteis Tsunami (criada em 2002), que agora se vira em definitivo para o gaming e para o público profissional.

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