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Coliving: trabalho e conhaque.

Há um ano, a jornalista Katheryn Thayer escreveu um artigo na revista Forbes em que referiu que o coworking estava a dar lugar a espaços de trabalho mais amplos e versáteis – chamou-lhes “espaços colaborativos”-. Estes espaços não se limitavam a ter secretárias de trabalho num ambiente descontraído e informal; contemplavam também áreas para eventos, conferências, reuniões e espaços “lounge” onde as pessoas pudessem trabalhar, mas também descontrair e divertirem-se.

Ninguém duvida que o paradigma dos espaços de trabalho está a mudar. E o espaço que habitamos, estará a seguir o mesmo caminho?

Os precursores do movimento “Coliving” dizem que sim.

Na prática, o Coliving consiste na partilha de habitações, por parte de pessoas que procuram viver em comunidade e acreditam que podem ser mais felizes se estiverem envolvidas num espírito de colaboração e partilha de recursos.

Esta ideia não é nova. As chamadas “Repúblicas” estudantis remontam ao século XIV, em Coimbra, quando D. Dinis promoveu a construção de casas que deveriam ser habitadas por estudantes mediante o pagamento de uma renda, cujo montante seria fixado por uma comissão nomeada pelo Rei.
É assim que, a partir de um tipo de alojamento comum, permitindo minimizar os encargos financeiros, viriam a surgir, por evolução, as actuais Repúblicas. Ainda hoje, estas casas caracterizam-se pela exaltação de valores universais que unem o passado ao presente: a vida em comunidade, a soberania e a democracia.

O Coliving poderá fazer sentido se as estadias forem por um período limitado, tal como acontecia nas Repúblicas dos estudantes. As novas gerações, como os Millennials ou a Geração Z, são particularmente adeptas deste tipo de espaços, onde encontram wifi gratuito e estadias mais baratas do que um hotel, mas não me parece que estejam dispostos a encarar o Coliving como modo de vida durante um largo período de tempo.

Um artigo publicado na Harvard Business Review em 2014 já tinha enfatizado que as novas gerações de profissionais gostam de trabalhar em ambientes que facilitem a troca de ideias e a colaboração, mas necessitam cada vez mais de espaços com privacidade, onde possam usufruir do silêncio e da concentração, num mundo dominado pelo voyerismo e pela partilha desenfreada de tudo o que acontece, dentro e fora das suas vidas.

O Coliving é uma ideia romântica. Uma coisa é a partilha do espaço de trabalho; outra coisa é a partilha do espaço onde vivemos. Apesar de distinguirmos cada vez menos a nossa vida pessoal da vida profissional, o ditado “Trabalho é trabalho; Conhaque é conhaque”, continuará a ser uma realidade.

Carlos Gonçalves
CEO Avila Spaces

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