Universidade de Aveiro descobre que os buracos negros binários 'dançam' como a Lua

Num trabalho recentemente publicado, Alexandre Correia, físico na Universidade de Aveiro (UA), garante que existem apenas dois tipos de equilíbrio distintos e, para o explicar, aponta um mecanismo idêntico...
Buracos-Negros-NASA

Num trabalho recentemente publicado, Alexandre Correia, físico na Universidade de Aveiro (UA), garante que existem apenas dois tipos de equilíbrio distintos e, para o explicar, aponta um mecanismo idêntico ao que explica a rotação da Lua, quer sobre ela própria, quer em torno da Terra.

Quando dois buracos negros orbitam à volta um do outro, o seu destino é, devido à emissão de radiação gravitacional, fundirem-se e darem origem a um buraco negro maior.

Durante o processo de fusão, a radiação gravitacional pode ser emitida de um modo preferencial numa direcção e o buraco negro resultante sofre um ricochete na direcção oposta, adquirindo uma velocidade tal que pode ser suficiente para o ejectar da galáxia onde nasceu.

Esta velocidade depende das características da rotação dos buracos negros imediatamente antes da fusão. Por isso, «é importante estudar a rotação destes corpos, para que possamos entender o que aconteceu com os buracos negros na nossa galáxia», explica Alexandre Correia.

O método desenvolvido no Departamento de Física (DFis) da UA para estudar a rotação dos dois buracos em torno um do outro é ‘simples’. Alexandre Correia descreve-o como «um método matemático que em vez de usar as equações do movimento como ponto de partida, usa os integrais do movimento». Com este método «é mais fácil encontrar as quantidades que se conservam e descobrir os pontos de equilíbrio» que dão estabilidade à rotação de cada buraco negro sobre o outro.

«Um dos aspectos mais difíceis de estudar a rotação de um buraco negro num sistema binário tem a ver com o enorme problema que é visualizar e analisar a orientação do eixo de rotação de forma informativa», descreve o físico da UA. «Neste novo trabalho nós estudamos a rotação de buracos negros binários usando um novo método analítico. Assim, somos capazes de encontrar as configurações possíveis para as rotações antes da fusão duma maneira simples», desvenda.

Além disso, «é possível identificar que só há duas possibilidades de equilíbrio para a rotação, e que são semelhantes aos equilíbrios observados para a rotação da Lua, que foram observados pela primeira vez por Jean-Dominique Cassini em 1693».

Via Universidade de Aveiro.

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