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Microsoft Surface RT

Quando a Microsoft anunciou o Windows 8 toda a gente sabia que este seria o primeiro Windows pensado para ser usado em hardware com capacidades tácteis, quanto mais não seja por causa da interface de utilização, que começou por se chamar “Metro” e depois foi rebaptizada “Nova Interface”, mas que nós continuamos a chamar “Metro”. Esta interface baseada na do Windows Phone 7 coloca o tradicional desktop do Windows em segundo plano, de forma a dar uma experiência de utilização muito mais “na ponta dos dedos”.

Também aquando do lançamento do Windows foi apresentado muito hardware, sob a forma de computadores com e sem ecrã táctil e também tablets vindos dos mais variados fabricantes. Mas surpresa foi a entrada da Microsoft em concorrência directa com esses fabricantes com a apresentação de dois tablets feitos de propósito para o Windows 8: o Surface RT e o Surface Pro.
Agora, meses após o seu lançamento, chega a Portugal o primeiro modelo do tablet da Microsoft, o Surface RT.
Este tablet chama-se Surface RT porque usa a versão RT do Windows 8, ou seja, a versão para processadores ARM e não Intel. Os tablets com tecnologia Intel chamam-se Surface Pro porque usam a versão Pro do Windows 8.

Aqui há que ter algum cuidado, porque apesar de usar Windows e ter o mesmo “look and feel” do Windows 8 que usa num qualquer PC, a versão RT não é capaz de executar os mesmos programas que o Windows tradicional. Isto porque simplesmente o processador ARM não é compatível com as instruções dos programas Windows feitos para processadores Intel.
No entanto, a grande maioria das apps para a nova interface que estão na loja de aplicações do Windows têm versões para Intel e ARM e a escolha é transparente para o utilizador.

Agora falando do tablet em si.

O Surface RT é uma máquina com ecrã IPS (In Plane Switching) de 10,6 polegadas com aspecto de imagem 16:9 e resolução máxima de 1366×768; tem 9,4 mm de espessura e 690 g de peso, apesar de a caixa ser feita em magnésio, que até é um material bastante leve.
Por fora ainda existe uma entrada USB, uma micro HDMI para ligar o RT a um monitor ou TV e ainda uma entrada para cartões MicroSD que permite adicionar um novo volume de armazenagem de até 64 GB que é, neste momento, a capacidade máxima deste tipo de cartões de memória.
Na parte de trás da caixa encontra ainda o “kickstand”, que permite manter o tablet na horizontal, num ângulo de 22 graus.
Tirando os botões à volta da caixa para aumentar e diminuir o volume, ligar e desligar, na frente do dispositivo não existe nenhum botão. A “tecla Windows” é um sensor táctil.

A construção é muito boa, não se notando qualquer folga ou som fora do vulgar quando se usa o tablet.
Dentro da caixa está um processador quad-core Tegra 3 a 1,3 GHz com 2 GB de memória RAM. A Microsoft fez-nos chegar um modelo com 32 GB, mas existe também uma versão com 64 GB de espaço de armazenamento.
Aqui há que fazer um pequeno reparo para todos os que estão habituados a usar tablets: ao contrário de outros sistemas operativos móveis que residem totalmente na ROM do dispositivo, na prática, o Windows RT é instalado como qualquer outro sistema operativo para computadores pessoais, o que gasta espaço na drive principal. Assim, dos 32 GB de espaço total ficam só disponíveis 13 GB.
Voltando à parte de fora, só nos resta falar do teclado. Esta é talvez a peça mais revolucionária do Surface. Chama-se Touch Cover, agarra-se ao Surface através de ímanes e serve de teclado e de capa para o ecrã. Tem apenas 3 mm de espessura.

As teclas não têm curso nenhum, são meros sensores tácteis (isto leva-me aos tempos do ZX-81) mas respondem como se de um teclado normal se tratasse. Tem um touchpad como o dos portáteis, que também funciona muito bem. Em alternativa, a Microsoft oferece um teclado com teclas à séria com um pouco mais de espessura. Mas fiquei fã deste Touch Cover.

Uma característica que Windows RT tem é ser o único que inclui o Office 2013 Casa e Estudante, composto por Word, Excel, PowerPoint e OneNote. Esta versão está 100% funcional e, segundo a Microsoft, a única limitação que apresenta é o facto de não ser compatível com algumas macros criadas na versão de PC da folha de cálculo.

Para medir a performance usámos dois benchmarks, o Sunspider, que mede a performance em Java, e o PeaceKeeper da Futuremark para medir a performance gráfica. No Sunspider obtivemos 1066,7 ms e no PeaceKeeper um score de 337, que coloca o Surface RT num patamar um pouco baixo em relação à concorrência. No entanto, o teste de bateria em que foi usado um filme em HD foi muito interessante, tendo obtido praticamente 8 horas em funcionamento contínuo (7h55).

Concluindo, o Surface RT é uma bela máquina para quem quiser um tablet com que consiga trabalhar enquanto viaja. É mais leve que um computador e tem mais autonomia que a maioria dos portáteis acessíveis ao comum dos mortais. O facto de ter o Office também é um factor muito interessante.
No entanto, o Windows RT ainda limita um pouco o utilizador em termos de software porque a loja Windows e o próprio sistema ainda são muito novos…

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