Wacom Inkling

Desde sempre que o negócio da Wacom tem sido o do desenho, primeiro com as mesas digitalizadoras Intuos e Bamboo, depois com o ecrãs Cintiq e agora com o novo Inkling. A ideia por trás destes produtos é permitir ao utilizador desenhar ou escrever com o computador como se estivesse a usar um folha de papel e uma caneta ou pincel. No caso dos modelos Intuos, Bamboo e Cintinq, apesar de o utilizador usar uma caneta, o suporte é uma superfície plástica, faltando-lhe a textura do papel. Outro problema é o da portabilidade.

As mesas digitalizadoras, apesar de poderem funcionar sem fios, não são portáteis, tem sempre de se ter um computador por perto para recolher e processar os movimentos que o utilizador faz. Daí a invenção do Inkling. Trata-se de uma caneta com 1024 níveis de pressão que comunica com um pequeno receptor que está agarrado a uma folha de papel, bloco ou caderno e que vai gravando todos os desenhos que o utilizador vai fazendo. Esta tecnologia não foi inventada pela Wacom. Há muito tempo que existem dispositivos que se agarram a um bloco ou caderno e gravam os movimentos que o utilizador faz com uma caneta. Mas, nesse caso, serve apenas para a digitalização da escrita manual.

O Inkling é o primeiro produto deste tipo pensado exclusivamente para os ilustradores, designers ou artistas amadores que querem poder fazer um desenho onde quer que estejam usando uma caneta e um papel e depois passá-lo para o computador e retocá-lo usando programas de ilustração como o Illustrator, ou de tratamento de imagem como o Photoshop.

O Inkling inclui uma caixa de plástico que serve para transportar todo o material. Uma vez aberta, a primeira coisa que salta à vista é o volume da caneta. Faz lembrar um pouco aqueles canetas que existiam há anos que incluíam uma carga de cada cor, o que as tornava mais gordas que as canetas normais. No entanto esta caneta está muito bem equilibrada e é confortável de usar.

Depois temos o sensor que serve para detectar e digitalizar o desenho. Trata-se de um dispositivo que se agarra à folha como se fosse uma mola de roupa. O sensor suporta folhas de papel do tamanho A7 até ao A4 e os 2 GB de memória interna conseguem albergar cerca de 10 páginas. A comunicação entre o sensor e a caneta é feita por infravermelhos e ultra-sons.

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Como tudo isto funciona com electricidade, tanto o sensor como a caneta têm baterias recarregáveis. Segundo a Wacom, a bateria da caneta dura cerca de 10 horas e a do sensor cerca de 8. Para transferir os seus desenhos para o computador e carregar os dispositivos pode usar o cabo USB incluído. Para que tudo funcione só é necessário mais um elemento, o software.

Chama-se Inkling Sketch Manager e serve para transferir os seus desenhos da memória do sensor para o seu computador, tanto para programas de desenho como o Illustrator ou Sketchbook da Autodesk, como para programa de edição de imagem como o Photoshop. Uma das funcionalidades mais interessantes é o facto de o software detectar as várias camadas dos desenhos e incluí-las nos ficheiros que exporta para os programas de desenho.

Em alternativa pode também gravar as suas obras usando ficheiros JPEG, PNG, PDF ou SVG. Para testar o Inkling pedimos a um ilustrador para o usar durante um fim-de-semana. As impressões que ele nos transmitiu foram que o Inkling faz tudo o que diz na caixa. É muito fácil de usar, mesmo por pessoas com fracos conhecimentos de informática. É confortável de usar.

O material empregue, principalmente na caixa, podia ser melhor. No geral, o Wacom Inkling é uma opção interessante para o ilustrador itinerante que depois gosta de passar as suas ideias para o computador. O preço é que podia ser um bocadinho mais em conta. Principalmente se tivermos em mente que a tecnologia não é nova.