Sou director da PCGuia há alguns anos e gosto de tecnologia em todas as suas formas. Estou neste mundo muito por culpa da minha curiosidade quase insaciável e por ser um fã de ficção científica.

É raro estar a escrever uma review na própria máquina que estou a avaliar, mas, neste caso, há uma boa razão para o fazer: o Surface Laptop vem com o Windows 10 S, uma nova declinação do Windows 10 que tem como uma das suas funcionalidades não permitir a instalação de software que não venha da loja de aplicações do Windows. Como todos os programas de medição de velocidade geral do sistema que usamos na PCGuia não estão na loja de aplicações, vou fazer uma review um pouco diferente: a que estou a escrever será publicada agora online e mais tarde, na revista, publicaremos uma review complementada com medições de desempenho que só são possíveis depois de mudar o sistema para o Windows 10 “normal”.

O lançamento do Microsoft Surface Laptop era uma inevitabilidade no percurso da Microsoft. Até ao lançamento em 2012 do primeiro tablet Surface, pensado para o Windows 8, a Microsoft apenas estava presente no mercado de hardware para consumo com periféricos, como ratos e teclados, e com a consola de jogos Xbox. Isto, se não contarmos com os smartphones. O modelo inicial do tablet Surface nasceu da necessidade que a empresa teve de oferecer aos consumidores um dispositivo de referência, capaz de utilizar na totalidade as potencialidades do seu software. Tal como a Google já fazia há algum tempo com o Android, ou como naturalmente a Apple já faz desde sempre. E se inicialmente o publico foi surpreendido com o facto de a Microsoft estar a desenvolver, fabricar e vender computadores, as vendas foram suficientemente satisfatórias para que a empresa não desistisse do projecto.

Seguiram-se mais seis modelos com configurações actualizadas para as tecnologias que foram sendo desenvolvidas. Eis que chegamos a 2015 e a Microsoft tira mais um coelho da cartola: o Surface Book. Um hibrido tablet/laptop com soluções de engenharia bastante originais e interessantes. Como uma versão com um processador gráfico (GPU) integrado no teclado, que assume as tarefas de processamento quando está ligado ao tablet. Infelizmente o Surface Book ainda não está à venda em Portugal oficialmente.

Em 2016 chega o Surface Studio. A crítica e o próprio mercado finalmente percebem que a Microsoft está a assumir a liderança na inovação tecnológica com esta descarada intromissão na “quinta” que, até aquele momento, pertencera quase exclusivamente à Apple. O Surface Studio, que inexplicavelmente também não está à venda nosso país, é um computador desktop com um painel de 28 polegadas, sensível ao toque, que pode ser inclinado até ficar praticamente paralelo com a mesa. Esta funcionalidade, em conjunto com a caneta e com o Dial (outra novidade), torna-o muito sedutor para quem necessita de uma máquina para trabalhos criativos, como desenho ou outras tarefas que impliquem a manipulação de objectos no ecrã.

Como se pode adivinhar, o passo seguinte seria naturalmente o lançamento de um computador portátil para completar a gama. E aqui está, o Surface Laptop.

Se compararmos as características técnicas deste portátil com as dos tablets Surface Pro, lançados este ano, nota-se logo que, à excepção da versão do Surface Pro com processador Intel Core-M, os Surface Laptop e os Surface Pro são gémeos. Os processadores são os mesmos, a oferta de capacidades de memória RAM são as mesmas e as capacidades dos SSD também. Até os preços são iguais…

Mas será o Surface Laptop um tablet agarrado a um teclado ou o Surface Pro um portátil com teclado opcional?

O Surface Laptop responde a um problema que o tablets têm desde sempre que é a dificuldade em permitir o trabalho confortável em cima do colo quando não há uma mesa por perto. É que o kickstand que serve para manter o ecrã na vertical para poder usar o teclado ligado ao tablet não é suficientemente estável para se conseguir escrever convenientemente. Já para não falar em usar o trackpad.

A grelha de ventilação.

O Surface Laptop é todo feito em metal e tem um acabamento de primeiríssima qualidade. Não há um único parafuso à vista. A dissipação de calor dos componentes é feita através de uma grelha por baixo do ecrã, muito semelhante à solução empregue nos Macbook. Isto faz como que, dos lados, haja espaço para colocar as entradas. Esta solução também permite construir uma máquina muito mais fina do que se tivesse as grelhas de lado.

Alcantara Teclado Surface Laptop
O teclado e o tecido Alcantara do Surface Laptop

O segredo para a inexistência de parafusos no chassis é imediatamente aparente assim que se abre o portátil. O teclado e o trackpad estão montados numa peça que está revestida com um tecido italiano chamado Alcantara que tem uma textura muito semelhante à da camurça. Segundo a Microsoft, é muito resistente tanto ao uso como ao calor. A peça em Alcantara está colada ao chassis e, por baixo dela, está o acesso à motherboard e baterias. Suspeito que, a menos que a Microsoft tenha desenvolvido uma técnica especial para descolar a Alcantara do resto do chassis, reparar este Surface Laptop deve ser uma tarefa muito ingrata. Ainda sobre a Alcantara, tenho a impressão que a cor do tecido deve passar de cinza para encardido muito, muito rapidamente.

O teclado é retroiluminado, tipo chiclete, as teclas têm um curso muito confortável, mas são algo barulhentas quando se escreve mais depressa. O trackpad é grande e em vidro. Ambos são da cor do tecido, o que os “camufla” um pouco no chassis. Por falar de cores, a Microsoft lançou o Surface Laptop em quatro cores, mas, outra vez inexplicavelmente, só vende a versão em cinza no nosso país. Talvez ainda estejam presos nos anos 90 do século passado quando os computadores tinham de ser cinzentos ou brancos…

O ecrã é de 13,5 polegadas, com uma resolução de 2256 x 1504. É sensível ao toque tanto através dos dedos, quer através da caneta opcional. A qualidade da imagem é excelente, com bom contraste, cores saturadas e sem qualquer arrastamento. Acima do ecrã está uma câmara que é compatível com o sistema de autenticação biométrica Windows Hello. Este sistema permite ao sistema operativo reconhecer o rosto do utilizador para que não seja necessário inserir uma password.

As entradas USB Type-A, Micro DisplayPort e para os auscultadores
As entradas USB Type-A, Micro DisplayPort e para os auscultadores

Com a excepção de não ter um leitor de cartões de memória MicroSD, as entradas no Surface Laptop são exactamente as mesmas que as que se encontram no tablet Surface. E são: uma única USB 3.0 Type-A, uma Micro DisplayPort e uma entrada proprietária onde se liga o carregador. A Microsoft vende um duplicador de portas por €234 na loja online que se liga nesta entrada e que inclui mais portas USB e DisplayPort para monitor. É aqui que está o “Calcanhar de Aquiles” do Surface Laptop. A Microsoft podia ter dispensado a micro DisplayPort e incluído uma entrada USB Type-C, muito mais polivalente. A manifesta falta de entradas e a utilização de uma entrada proprietária para a energia gritam: “Já que nos compraram um computador, gastem mais 200 euros e comprem também o nosso duplicador de portas!”

A entrada para a alimentação e duplicador de portas. Consegue ver-se uma das antenas.

De cada lado do Surface estão duas peças de borracha que são as antenas para o Wi-fi e Bluetooth. A razão para estarem nesta posição prende-se com a minimização de interferências do ecrã e do chassis.

A unidade que a Microsoft nos enviou tem um processador Intel Core i5 7200-u a funcionar a 2,5 GHz, mas que pode chegar aos 2,7 em modo Turbo. A memória RAM é de 8GB e tem um SSD de 256 GB.

Como já disse, o Windows é o 10S. A experiência de utilização é igualzinha à do Windows 10 “normal”, só não se pode instalar nada que não venha da loja de aplicações da Microsoft. Na compra de um destes computadores está incluída uma licença do Office 365 pessoal por um ano. Esta licença deixa-o usar as aplicações do Microsoft Office: Word, Excel, PowerPoint e Outlook e ainda lhe oferece espaço no serviço de armazenamento na cloud OneDrive.

A Microsoft diz que este portátil consegue aguentar 14 horas entre cargas da bateria. Eu estou a escrever este texto há quase uma hora e a bateria já vai a meio (tenho 56% de capacidade restante). Decerto que essa autonomia deve ter sido obtida com os sistemas wireless desligados e o brilho do ecrã no mínimo, porque a trabalhar normalmente duvido que se consiga chegar perto desse valor.

Numa utilização normal (escrita, navegação pela Internet), o Surface Laptop não aquece muito, por isso pode usar-se perfeitamente no colo sem ser desconfortável.

A Microsoft diz que o Windows 10 S é mais rápido a arrancar que o outro, mas, empiricamente, não consigo ver a diferença. Talvez um meio segundo. Mas não se nota quase nenhuma diferença de velocidade de arranque entre uma máquina com este sistema operativo e um computador semelhante com um SSD e o Windows 10 normal.

Como mencionei no inicio do texto, não me é possível instalar nenhum software de teste que usamos normalmente, por isso não lhe vou apresentar nenhum valor de desempenho.

Em resposta à pergunta que fiz anteriormente, este portátil, neste momento é mais um tablet com o teclado agarrado do que um verdadeiro computador portátil. Isto porque lhe falta a polivalência de uma máquina portátil verdadeira, pela falta de entradas e pela Microsoft ter sido “obrigada” a usar entradas da geração anterior por causa de manter sinergias no desenvolvimento e fabrico desta geração de dispositivos.

Ainda assim, é uma máquina honesta, muito bem construída. O ecrã é excelente e o teclado é confortável de usar. E como o preço é o mesmo que o de um Surface Pro desta geração sem teclado, a minha escolha é clara: o Surface Book.

Para informações sobre preços e disponibilidade dê um salto ao site da Microsoft.

No próximo número da PCGuia vamos publicar os testes com valores e comparar a fundo o Surface Laptop com o Surface Pro.

 

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