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“A discriminação acabou após demonstrar o meu trabalho”
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“A discriminação acabou após demonstrar o meu trabalho”

por High-Tech Girl17 Junho, 2016
Cristina Lopes tem 32 anos e há meio ano entrou para a Muzzley, uma start-up portuguesa dedicada à área da IoT (Internet of Things). Estudou Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico e o mobile é a sua área de eleição.

O que despertou o seu interesse para este curso?
Quando estava no 11.º ano, instalou-se Internet lá em casa. Comecei a explorar e a sentir curiosidade sobre o assunto. Foi a partir daí comecei a ver as várias oportunidades que existiam no mercado para a área de Informática. Procurei informação e aconselhei-me com pessoas, entre elas uma engenheira que frequentou o curso quando este abriu.

E trabalhar na área de mobile, era uma meta?
Aconteceu. Comecei numa consultora na área da banca, nos sistemas de informação, mas durante a faculdade já tinha procurado orientar-me mais para a área de multimédia, áudio visuais, design. Gostava muito de implementar design. A minha família vem da área das artes. Depois destes primeiros dois anos em sistemas de informação, acabei por ter uma oportunidade na YDreams e foi lá que me apresentaram um primeiro projeto na área de mobile. A partir daí comecei a especializar-me e decidi que era o que gostava de fazer. Estou 100 por cento dedicada a esta área.

O que a atraiu a mudar-se para a Muzzley?
Primeiro, por que tem uma forte componente mobile. Mas, além disso, está na área da domótica, que é também muito interessante. A domótica está muito no início, apesar de já existir há vários anos. Ainda não teve o seu pico, que está a começar agora: há cada vez mais aparelhos e os preços já estão bem mais acessíveis. A domótica abre todo um espectro novo de interação com o mundo à nossa volta, o que é muito interessante.

IoT e domótica ainda estão distantes do público em geral…
As pessoas, se calhar, ainda não sabem o que é que podem fazer com os aparelhos, que não são só para usos lúdicos. Ou seja, uma lâmpada inteligente pode ajudá-las na segurança, por exemplo. Pode ser usada como luz de presença quando não se está em casa. Tem inteligência para saber que durante o dia não deve acender. O objetivo aqui na Muzzley não é sermos apenas um controlador único para vários produtos diferentes, é também educarmos as pessoas, mostrarmos o que é que são os smartdevices, o que é uma smarthouse. É por isso que estamos em retalhistas como a Worten do Colombo, onde mostramos não só a nossa aplicação mas, sobretudo, como se pode usar a domótica e a IoT para melhorar o dia-a-dia seja a nível da comunidade, da segurança, da saúde.

A Muzzley tem escritórios em Silicon Valley. Como é poder ter contacto com este centro tão dinâmico?
É muito importante. Ganha-se outra visão. Está-se onde tudo está a acontecer e vê-se o que é que as pessoas procuram, o que é que querem. As pessoas vêm ter connosco. Algumas já são nossas utilizadoras e trazem ideias novas. Outras ainda não são e ficamos a conhecer. Dão-nos mais ideias. É um contacto muito, muito importante e tem feito muita diferença a cada ano.

No dia-a-dia de trabalho o que é que lhe dá mais gozo?
É ver o resultado final a ser usado. Ver as pessoas a interagir, a usar, a dar feedback, a mostrar que percebem o que fazemos. E mesmo as más reações são boas. Quer dizer que usaram e experimentaram, ou seja, o nosso trabalho chegou até lá. E aproveitamos as queixas para melhorar.

Tem sonhos profissionais por realizar?
Continuar aquilo que estou a fazer, ou seja, trabalhar em projetos que me apaixonem. Quando comecei a carreira não tinha noção do quanto isso era importante. A partir do momento em que me consciencializei de que há projetos e projetos, vi que os que nos apaixonam e nos fazem vestir a camisola, que é o que acontece aqui. Conseguir continuar na minha carreira a trabalhar naqueles projetos que realmente me apaixonam é o meu sonho.

Há muitas mulheres na Muzzley. É um mero acaso ou começa a haver mais mulheres neste cenário?
Tenho várias amigas na área da informática, cada uma no seu ramo. Tenho esperança de que se esteja a largar um bocadinho o tabu. Pessoalmente, trabalhei sempre num ambiente maioritariamente masculino. Mas desde o segundo ano de trabalho, o fato de estar num ambiente masculino e de ser mulher deixou de ser relevante. Deixei de sentir que houvesse qualquer tipo de descriminação. Talvez tenha sentido isso mais no início por ser muito nova. A partir do momento que pude demonstrar o meu trabalho, isso acabou.

E o que aguarda o futuro?
Estar na área da IoT. Existiu o boom da Internet no ano 2000, e agora será o boom do IoT.

Acerca do autor
High-Tech Girl
Sou jornalista e tenho interesse pelos mais variados temas, mas a tecnologia vem em primeiro lugar. Gosto de escrever sobre e para mulheres porque estou farta de ouvir que tecnologia é uma coisa de homens.